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Os seus dados na Internet ainda estão protegidos?

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Escrito por Marina Camargo
Especialistas comentam sobre o famoso “Aceito e estou de acordo”, vazamento de dados e assertividade para o mercado publicitário nas redes sociais

A internet permitiu à vida moderna inúmeras facilidades: integração de contas em redes sociais, e-mails agrupados, pagamentos em bancos, mercados e lojas, entre outras atividades. Mas é possível se sentir seguro com essa infinidade de possibilidades? Para ter acesso às funcionalidades do Android e iOS, por exemplo, tem que se concordar com os termos de autorizações e criar uma conta Gmail/Cloud. Mas você se lembra de cabeça de pelo menos 5 desses termos de uso? É o famoso “Aceito e Estou de Acordo”.

O Jornal d’aqui conversou com dois especialistas em Tecnologia da Informação e Comunicação Digital e você pode conferir na íntegra esse bate-papo! Soraia Lima é consultora de Comunicação Digital e doutora em Ciência da Informação pela USP e Murilo Rodrigues é especialista em Tecnologia e Segurança da Informação.

1. Jornal d’aqui: Dá para manter os dados seguros e protegidos durante a navegação na Internet?

Murilo Rodrigues: Não existe uma fórmula mágica que garanta 100% da segurança da informação. O que existe é um conjunto de fatores que vão ajudar a manter os dados protegidos e dificultar a ação de pessoas e sistemas maliciosos, mas isso também depende de quem está oferecendo o serviço que você está utilizando na internet e de quem está interessado em obter e expor esses dados de forma não autorizada.

2. Jornal d’aqui: Em 2018, o mundo parou para falar sobre os dados da Cambridge Analytica envolvendo o Facebook e as informações de seus usuários. O que pudemos aprender com isso?

Soraia Lima: O fato é que não houve o vazamento das informações. O que acontece é que a maioria das APIs (conjunto de rotinas e padrões de programação para acesso a um aplicativo de software ou plataforma baseado na web) das redes sociais permitem a coleta de dados públicos. E, por meio desta coleta, os profissionais traçam perfis comportamentais que ajudam em diferentes frentes, desde marketing até as eleições, por exemplo. O problema é que, após a Cambridge Analytica, as pessoas “descobriram” que essas empresas de redes sociais comercializavam ou permitiam o acesso a esses dados.

Vale ressaltar que isso sempre esteve claro nas regras e condições de uso de todas as redes sociais e aplicativos. No entanto, na ânsia de querermos usar essas plataformas digitais, ignoramos essa questão e não lemos algo que é fundamental para a nossa segurança.

3. Jornal d’aqui: Quais serviços na rede são considerados seguros?

Murilo Rodrigues: Geralmente grandes empresas como o Google têm preocupações com os dados de seus clientes, até por questões legais que essas gigantes de Tecnologia da Informação prestam ao seu governo, clientes e investidores. Mas é importante relembrar que todos estão suscetíveis a incidentes na rede e fora dela.

4. Jornal d’aqui: Do ponto de vista mercadológico e de comunicação, até que ponto é segura a assertividade ou direcionamento de anúncios na internet e em redes sociais?

Soraia Lima: Do ponto de vista da comunicação e mercadológico, o fato de usarmos dados para se comunicar de maneira mais assertiva é incrível. Consegue-se observar comportamentos, hábitos e gostos e entregar conteúdos e anúncios que estejam de acordo com o que gostaríamos de ver; mas claro que isso também tem um inconveniente. Quem nunca fez uma pesquisa na internet ou falou algo em uma conversa e foi impactado por conteúdos e anúncios referentes a esta pesquisa ou conversa?

As ferramentas digitais são impressionantes e intuitivas – principalmente quando envolvem Inteligência Artificial -, mas ainda precisam de uma curadoria humana para não ser uma ação invasiva.

5. Jornal d’aqui: Por fim, algumas pessoas não mexem na internet justamente por esse medo de terem seus dados vazados. Quais dicas que vocês dariam para essas pessoas?

Murilo Rodrigues: Existem pontos que um usuário comum pode analisar para identificar se aquele site realmente é legitimo, como verificar se a comunicação é protegida com a presença do HTTPS na url. httpS://www.google.com.

Visualizar se o certificado utilizado pelo https foi realmente emitido por aquela empresa ou é confiável – clicando no cadeado ao lado esquerdo da barra é possível analisar essas informações-. É importante sempre confirmar se o site que você está acessando foi digitado corretamente e se você foi redirecionado para o local certo. É comum a existência de domínios que parecem ser aquele site que você quer, mas um detalhe passar batido. Exemplo: www.ltau.com.br (foi utilizado a letra L minúscula na escrita).

Sempre que possível, digite o site que você quer na barra de endereço. Evite ser redirecionado de páginas de pesquisas ou por links recebidos por e-mails. Evite acessar serviços financeiros ou que sejam críticos diretamente de uma rede pública como em cafés e shoppings.

E, por fim, cuidado com e-mails e arquivos anexos recebidos. É sempre importante analisar o remetente da mensagem para ter certeza que é de alguém conhecido e confiável, e sempre analisar o link que você está clicando e o anexo que foi enviado.

Soraia Lima: É importante ter um cuidado maior com os termos de “Aceite” na Internet. Pois, ao aceitar as regras e condições de uso, por mais que haja leis como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral da Proteção de Dados, quando você concorda com algo só para poder utilizá-lo, está abrindo mão de diversos direitos.

Ressalto, também, que já estamos expostos. Se você tem uma smartTV, por exemplo, seus dados estão online. A mesma coisa acontece com um smartphone. Estamos expostos mesmo quando só temos uma conta em e-mail. A questão é: como você está protegendo esses dados? Utilize antivírus em computadores e em smartphones e mude frequentemente as suas senhas.

Não faça transações utilizando a sua conta Google ou de qualquer rede social. Sabemos que isso facilita a vida, mas ela também facilita o acesso aos seus dados pessoais.
Faça compras apenas em sites seguros e conhecidos (https). Verifique as avaliações desses sites em páginas como o Reclame Aqui. É importante frisar que não é para se acreditar em tudo o que você vê na internet.

Sobre o autor

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Marina Camargo

Marina Camargo é jornalista e pós-graduada em comunicação nas Mídias Digitais e Branded Content. É editora de texto para diversos segmentos e coordena projetos de comunicação no Brasil e no exterior. É fotógrafa voluntária em ONGs da capital paulista e uma das autoras do livro Viver é um Ato de Revolução.

Marina escreve mensalmente para a coluna de Tecnologia do Jornal d'aqui.

1 Comentário

  • Excelente matéria, nos mostra que nem sempre é aquilo que achamos ou seja as vezes pensamos que estamos 100% protegidos em determinado site, mas nem sempre é assim. Texto bem escrito !!

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