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Desmatamento X Qualidade de Vida

Escrito por Geni Alburquerque

O Plano Diretor atual sequer foi implementado em sua totalidade e já está sendo revisado há pouco mais de um ano.
Oportunidade para que os cidadãos se manifestem, inclusive, sobre as consequências das mudanças de zoneamento que já ocorreram.
Nos últimos anos, vimos áreas estritamente residenciais se transformarem em zonas mistas, recebendo comércio e indústrias sem, no entanto, possuírem infraestrutura para tal.
Cito como exemplo, o Jardim Claudio e o bairro do Belizário, entre outros, que resumem atualmente, o caos urbano que representa uma mudança de zoneamento e parcelamento do solo sem planejamento.

Um exemplo do caos urbano fruto de uma mudança de zoneamento e parcelamento do solo sem planejamento

Um exemplo do caos urbano fruto de uma mudança de zoneamento e parcelamento do solo sem planejamento

Aparentemente, existe uma pressão por parte de empreendedores pelo adensamento populacional para que se justifique não só novos investimentos imobiliários como também, uma tentativa de eliminar a ociosidade presente nos empreendimentos recém-construídos.
A população ainda não percebeu ou insiste em ignorar sua responsabilidade como agente multiplicador nas soluções de problemas comuns, para o deleite de especuladores e governantes.
Cotia é um município que não possui atrações turísticas e históricas. Seu maior patrimônio é a Reserva do Morro Grande e seus fragmentos do Bioma Mata Atlântica no entorno. Portanto, um patrimônio ambiental.
Estamos assistindo a uma deterioração urbana da cidade de Cotia e o curioso, é que a Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo aliada à Secretaria de Meio Ambiente e Agropecuária, apreciam as mudanças de camarote, isto é, olhando ao redor.
A Granja Viana e seu entorno foram inicialmente ocupados por monoculturas e os que chegaram depois, plantaram árvores a ponto de o bairro se transformar em referência de qualidade de vida, respeito pelo meio ambiente e convívio harmonioso com a fauna silvestre.

 A Granja Viana e seu entorno que se transformaram em referência de qualidade de vida, respeito pelo meio ambiente e convívio harmonioso com a fauna silvestre.

A Granja Viana e seu entorno que se transformaram em referência de qualidade de vida, respeito pelo meio ambiente e convívio harmonioso com a fauna silvestre.

Eu diria que a farta distribuição de “licenças e autorizações” para a supressão de matas e árvores isoladas ao redor da cidade, em breve estará alterando a paisagem verde da Granja Viana para esta aberração urbanística, também chamada de crescimento desordenado.
Amparados pela resolução SMA nº 84/2013 e pela Lei nº1226/2013, fazem vista grossa ao que está acontecendo na prática.
A minha perplexidade aumenta ao constatar o número de árvores que já foram derrubadas em relação ao número de árvores que foram de fato plantadas para a manutenção arbórea.
Arquitetos, urbanistas e paisagistas precisam anexar aos seus projetos, o respeito por uma região que exige uma arquitetura de baixo impacto, aliada a um paisagismo que possa se tornar produtivo e de alto impacto socioambiental.
Por outro lado, existem locais ociosos que poderiam receber o plantio voluntário de árvores nativas da Mata Atlântica.
Daí o meu humilde convite:
Vamos plantar pelo menos uma árvore?
Apenas uma?!
Por que não?
A população da cidade está em 220.000 cidadãos. Se cada um plantar apenas uma árvore, todos poderão usufruir da redução da velocidade dos ventos, do conforto térmico, acústico, visual, além de poderem conhecer e resgatar o convívio com a nossa biodiversidade.

Sobre o autor

Geni Alburquerque

Autodidata multidisciplinar. Sócia-proprietária da Taúna e consultora em paisagismo ambiental e jardinagem.

Blog: qualidadedevidaejardim.blogspot.com.br

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