Colunistas Educação Maria Amélia Cupertino

Precisamos falar de Kevin: breve e triste reflexão sobre os massacres em Escolas

Até recentemente, o perigo morava em outro país, ao qual atribuíamos um grau de violência e de isolamento entre as pessoas completamente estranhos a nossa cultura. Lembro-me de ler sobre o arsenal de um dos meninos de Columbine e pensar como era incompreensível que uma mãe não percebesse, que na nossa cultura mães não respeitam tanto o espaço dos nossos adolescentes ao ponto de não organizar o armário com eles. Na nossa cultura a porta fechada sempre foi permitida às vezes, desde que eles participassem das conversas do jantar, passeassem às vezes conosco. Porém, lentamente, esse padrão familiar foi se transformando, uma mudança impulsionada pela correria da vida dos pais, pela tecnologia, pela substituição de valores, pela tecnologia.

A primeira tragédia aqui em nosso país foi vista por muitos como um caso isolado, de loucura, o qual era lamentável e triste, mas não era um alerta sobre como estamos agindo com nossas crianças e jovens. A repetição já traz algumas análises de que precisamos pensar mais a fundo, não assumir uma atitude escapista.

Precisamos falar de como evitar que tragédias como essa se repitam. Alguns defendem o aumento de segurança nas escolas. Minha reação imediata à essa solução é dizer não. Escolas com muros e grades desumanizam em parte seus estudantes, isso é o que eu costumo ver. Mas para chegar a uma solução para tão grave problema temos que conversar mais, ouvir o argumento do outro, não nos fecharmos em compartimentos que pregam soluções opostas Quem aceita o convite?

PS: a propósito, para quem ainda não leu o livro do qual emprestei o título, vale a pena. O filme nele baseado não passa nem perto. A autora, Lionel Shriver, é uma das pessoas mais inteligentes e críticas da sociedade americana que eu já conheci.

Sobre o autor

Maria Amélia Cupertino

Formada em Ciências Sociais, com mestrado em Educação.
Foi professora de Ensino Fundamental, Médio e Superior. Trabalhou como pesquisadora na UNICAMP na área de políticas públicas voltadas a crianças e adolescentes. Trabalhou na Fundação Abrinq na análise e financiamento de projetos para melhoria do ensino público (Programa Crer para Ver). Desde 1998 trabalha como Coordenadora no Colégio Viver. Além da paixão por educação, é cinéfila de carteirinha, tendo integrado, na faculdade, o Cineclube da FFLCH da USP.

Deixe um comentário