Colunistas Põe Poesia e Põe Prosa Sílvia Rocha

Quando a Poesia voa e pousa, delicadamente, em outros suportes

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Escrito por Sílvia Rocha

Leio, estudo, aprecio e escrevo poesia há quase quarenta anos. E, no meio desse percurso poético, deparei-me com os instigantes poemas pequeninos, de três versos, de origem japonesa: os haikais. Como era possível se dizer tanto em tão poucas palavras?

Octávio Paz, escritor, poeta e grande pensador mexicano, ganhador de um Prêmio Nobel, escreveu este haikai:

      o dia abre sua mão

      duas nuvens

      e estas poucas palavras

Hoje o dia abriu sua mão para mim às 4h30 da manhã. Não por acaso, no dia em que se comemora a Iluminação do Buda. Também não por acaso, os haikais contêm grande inspiração na filosofia budista.

E então, venho aqui compartilhar com você algo que foi se materializando nos últimos anos e, de forma contundente, neste último.

Meus haikais, meus pequeninos, escritos ao longo de uma vida, voaram do suporte tradicional livro, para depois migrarem para o ecossistema virtual, em sites, blogues, grupos e mídias sociais. Há cinco anos, pousaram, delicadamente, em quadros de madeira.

E este ano – surpresa – o voo se deu e eles se aninharam em têxteis poéticos: fronhas, capas de almofada e panos de prato.

Cabe aqui um especial agradecimento à Mônica Rosales, amiga querida que, em nossas caminhadas deste ano, contaminou-me com suas ideias, já postas em prática, de criar fronhas e almofadas poéticas.

E a oportunidade de lançar o meu voo poético, digamos, mais amplo, deu-se com a Feira Conexões Arte da Granja Viana, voltada para artistas locais. E aqui vem outro agradecimento especial à curadora da Conexões, Heloisa Reis, que me convidou a sair do ninho seguro e a aterrissar meus haikais em quadros poéticos na primeira edição da Feira, em 2016. E, como curadora da edição de 2021, mais que incentivou-me a expor os têxteis poéticos, além dos quadros e livros, desenhando um estande lindo para este fim.

A boa notícia é que a Conexões, no final de novembro, foi um grande sucesso. Tanto que Solange Viana, a galerista que sediou e organizou a Feira, decidiu estendê-la a partir de segunda-feira,6/12, até sábado, dia 11 de dezembro, quando fará uma celebração de encerramento.

As peças falam por si. Já os haikais, ainda que escritos por mim, dialogam com aqueles que por eles se sentem tocados. Delicadamente.

 

FEIRA CONEXÕES DE ARTE DA GRANJA VIANA

 

A PEDIDOS, A FEIRA REABRIRÁ DE HOJE A SÁBADO, NOS HORÁRIOS:

QUARTA; QUINTA E SEXTA (7;8;9;10/12): DAS 14H00 ÀS 18H00

SÁBADO, 11/12: DAS 15H00 ÀS 20H00: CELEBRAÇÃO DE ENCERRAMENTO

 

GALERIA DE ARTE SOLANGE VIANA: RUA SÃO JOÃO, 246, GRANJA VIANA, COTIA

 

Meus trabalhos estarão na Feira Conexões Arte da Granja Viana: meu livro de poemas-haikais Matutu Do; e meus haikais que saíram das páginas dos livros para pousarem, delicadamente, nos têxteis: fronhas; capas de almofadas e panos de prato.

Para quem não puder ir, aceito encomendas para o Natal.

LIVRO MATUTU DO: R$ 60; QUADROS: R$ 180; FRONHAS: R$ 72 CADA: CAPAS DE ALMOFADA: R$ 90; PANOS DE PRATO: R$ 45.

silviamrocha2013@gmail.com – 11 98600-0009

Sobre o autor

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Sílvia Rocha

Sílvia Rocha nasceu na cidade de São Paulo, em 1958. Mora na Granja Viana, em Cotia, há 28 anos. É pedagoga, jornalista e mestre em Jornalismo pela ECA-USP.

Desde 1990, conduz oficinas de haikais – micropoemas de origem japonesa – e aulas de escrita criativa. Publicou Estação Haikai (1988) e Gestação Haikai (1990), ambos pela Editora Scortecci; reunidos e reeditados, em 2015, pela editora É selo de língua.

Lançou “Matutu Do”, livro de haikais, editado pela É selo de língua e premiado pelo ProAC 18/2019.

Há 12 anos, participa do movimento ambientalista Transition Granja Viana, do qual é cofundadora.

Atua na Tique Toque Revisões, juntamente com a parceira Heloisa Reis. Revisam, em dupla, todo tipo de texto. www.tiquetoquerevisoes.blogspot.com

Escreve para sua coluna – “Põe Poesia e Põe Prosa” – “aqui”, no Jornal d’aqui, desde 2018.

www.silviarocha.com.br www.matutudo.com

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