Colunistas Põe Poesia e Põe Prosa Sílvia Rocha

Somos e estamos todos e todas Mulheres do Afeganistão?

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Escrito por Sílvia Rocha

Este poema nasceu como letra de música há cerca de vinte anos.

Na época, eu imaginei um rock bem pensado para a letra.

Agora, fiz mudanças no poema mas, de forma geral, sua essência foi mantida.

Acredito que o ano  texto da criação do poema foi 2001, quando da ofensiva americana no Afeganistão, expulsando o Talibã do poder, pelo menos nas cidades mais populosas e influentes do país.

No entanto, vivenciamos neste fatídico mês de agosto a retirada das tropas americanas de lá.

Exatos 20 anos depois, o Talibã retoma o poder e acompanhamos o terror fundamentalista se alastrando… e as mulheres? Como ficam as Mulheres do Afeganistão?

Neste momento de extremo terror – em todos os níveis – uma pergunta: Somos e estamos todos e todas Mulheres do Afeganistão?

 

Mulheres do Afeganistão

 

ser ou não ser

eis a questão

 

saber ou não saber

eis a questão

 

crer ou não crer

eis a questão

 

ter ou não ter

eis a questão

 

temer ou não temer

eis a questão

 

sofrer ou não sofrer

eis a questão

 

Mulheres do Afeganistão

Mulheres do Afeganistão

 

querer ou não querer

eis a questão

 

prazer ou não prazer

eis a questão

 

fazer ou não fazer

eis a questão

 

caber ou não caber

eis a questão

 

correr ou não correr

eis a questão

 

perder ou não perder

eis a questão

 

Mulheres do Afeganistão

Mulheres do Afeganistão

 

liberdade e criação

eis a questão

 

verdade e compreensão

eis a questão

 

identidade e aceitação

eis a questão

 

igualdade e decisão

eis a questão

 

irmandade e união

eis a questão

 

vontade em ebulição

eis a questão

 

Mulheres do Afeganistão

Mulheres do Afeganistão

 

ação

eis a questão

 

reação

eis a questão

 

ação

eis a questão

 

reação

eis a questão

 

ação

eis a questão

 

reação

eis a questão

 

Mulheres do Afeganistão

Mulheres do Afeganistão

 

viver

eis a questão

 

viver

eis a questão

 

viver no Afeganistão

viver no Afeganistão

 

morrer

eis a questão

 

morrer

eis a questão

 

morrer no Afeganistão

morrer no Afeganistão

 

viver-morrer-viver-morrer

no Afeganistão

 

Ilustração: Silvia Rocha

Sobre o autor

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Sílvia Rocha

Sílvia Rocha nasceu na cidade de São Paulo, em 1958. Mora na Granja Viana, em Cotia, há 28 anos. É pedagoga, jornalista e mestre em Jornalismo pela ECA-USP.

Desde 1990, conduz oficinas de haikais – micropoemas de origem japonesa – e aulas de escrita criativa. Publicou Estação Haikai (1988) e Gestação Haikai (1990), ambos pela Editora Scortecci; reunidos e reeditados, em 2015, pela editora É selo de língua.

Lançou “Matutu Do”, livro de haikais, editado pela É selo de língua e premiado pelo ProAC 18/2019.

Há 12 anos, participa do movimento ambientalista Transition Granja Viana, do qual é cofundadora.

Atua na Tique Toque Revisões, juntamente com a parceira Heloisa Reis. Revisam, em dupla, todo tipo de texto. www.tiquetoquerevisoes.blogspot.com

Escreve para sua coluna – “Põe Poesia e Põe Prosa” – “aqui”, no Jornal d’aqui, desde 2018.

www.silviarocha.com.br www.matutudo.com

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