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Trilhas sonoras: o poder da música na indústria cinematográfica

Escrito por Redação

Disse certa vez o gênio Charles Chaplin que o som aniquila a grande beleza do silêncio. Com essa frase ele estava se referindo ao fato de que filmes não precisam conter falas para serem comoventes. Obras-primas como Tempos Modernos indiscutivelmente geram sentimentos diversos, visto que a atuação, especialmente as expressões corporais e faciais, também são formas de comunicar sentido. Entretanto, será que tanto a comoção quanto a comunicação seriam efetivas caso, além de mudo, o filme não contasse com a ajuda de recursos sonoros?

Como sabemos, produções do cinema mudo não contêm diálogos, mas isso não significa que não sejam acompanhadas de uma trilha sonora. As tocantes criações de Chaplin ou curtas como Viagem à Lua, de Georges Méliès, demonstram que desde o princípio o cinema se aliou à música para criar a atmosfera certa para cada produção.

Origens e evolução da música: a importância social dessa manifestação

A música é uma manifestação que toca os corações humanos desde que o mundo é mundo. Primordialmente, os sons eram feitos apenas pela natureza, mas nossos ancestrais, ao prestarem atenção, por exemplo, ao som das ondas do mar e do vento, se inspiraram a explorar os sons que seus corpos produziam. As batidas dos pés tocando o chão, as palmas e os sons emitidos por instrumentos rudimentares feitos com ossos de animais podem ser consideradas as primeiras manifestações musicais na esfera humana. Conforme as sociedades foram se organizando, a ritualística religiosa surgiu, e a música passou a ser um dos seus elementos indispensáveis, firmando-se como uma forma de nos religar ao divino e nos curar e tornando-se parte indelével da experiência humana.

Sendo uma das representações culturais mais antigas, a música foi se desenvolvendo juntamente com a sociedade, encontrando com o tempo outros caminhos para além do uso religioso e passando a ser componente imprescindível em âmbitos sociais diversos, como os da arte e do entretenimento. Por ter o poder de gerar senso de pertencimento e união, datas celebratórias à música e seus diferentes gêneros foram sendo estabelecidas, num gesto de agradecimento à profundidade que esse elemento adiciona às nossas vidas. Além disso, a música se transformou de tal forma em uma parte central da sociedade que toda uma indústria se formou ao seu redor. Assim foram sendo criadas as gravadoras e empregos novos surgiram, como engenheiro de som e produtor musical. Com o estabelecimento dessa indústria, os artistas passaram a alcançar cada vez mais pessoas, transmitindo suas mensagens massivamente.

Essa evolução fez com que surgissem eventos direcionados especialmente à música, como o Grammy Awards. No Brasil, podemos mencionar o Prêmio Multishow. Esses eventos premiam os artistas por suas criações – o que não é novidade para quem gosta de ler sobre curiosidades musicais e acompanhar o universo dos sons –, e a eles podemos unir o Oscar, que, apesar de não ser exclusivamente dedicado à música, não deixa de ser uma celebração à existência dessa manifestação. As apresentações musicais que são parte da cerimônia e o fato de haver uma categoria de Melhor Trilha Sonora envolvida na premiação ilustram bem como música e cinema caminham lado a lado.

No universo dos filmes, música e enredo têm o mesmo peso

Para se ter uma ideia da importância das trilhas sonoras, basta pensar que, ao comentarmos sobre alguns filmes, é impossível não mencionar também suas músicas-tema. Quem não se lembra imediatamente de Carruagens de Fogo ao escutar a música “Chariots of fire”, de Vangelis? Ao ouvir “Glory of love”, de Peter Cetera, sua mente deve te levar até Mestre Miyagi e Daniel-San, personagens de Karate Kid. E certamente aos primeiros acordes de “Eye of the tiger”, do Survivor, você visualiza Sylvester Stallone interpretando Rocky. Muitos filmes ficaram imortalizados na memória coletiva não apenas por seus enredos e elencos, mas também por suas músicas. A combinação desses fatores é o que cria a atmosfera ideal para cada trama, provocando diferentes sentimentos e fazendo de uma produção algo inesquecível.

A influência que a trilha sonora exerce no sucesso de um filme muitas vezes é tão grande que as músicas acabam se sobressaindo às histórias. Um exemplo disso é Grease, uma das maiores bilheterias de musicais de todos os tempos. Olivia Newton-John e John Travolta fizeram história interpretando Danny e Sandy, mas os clássicos cantados por eles no decorrer do filme podem ser considerados a cereja no topo do bolo. O mesmo aconteceu com Dirty Dancing. A interpretação que Patrick Swayze fez do professor de dança Johnny Castle é memorável, mas o ponto mais esperado do filme é a cena em que a atuação se mescla com a canção “(I’ve had) The time of my life”, dueto de Bill Medley e Jennifer Warners. A música toma conta do filme de tal maneira que é impossível pensar que a trama fosse cativar tanto os espectadores se a trilha sonora, que vendeu 32 milhões de cópias nos Estados Unidos, não fosse tão marcante.

Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, é outro exemplo. Nomes como Dick Dale e Dusty Springfield fazem parte desta que é considerada por muitos a melhor trilha sonora de todos os tempos. Quem não se lembra da cena em que Mia Wallace e Vincent Vega, interpretados por Uma Thurman e John Travolta (de novo!), dançam “You can never tell”, de Chuck Berry, ou do momento em que Mia Wallace arrisca uns passos ao som de “You’ll be a woman soon”, do Urge Overkill? Essas cenas icônicas estão cravadas na lembrança de qualquer grande fã da cultura pop.

Outros exemplos marcantes

Outro filme que tem relação com Tarantino e cuja trilha sonora é central é Um Drink no Inferno. A banda ZZ Top foi a responsável pelas músicas, fazendo inclusive uma aparição especial no longa dirigido por Robert Rodriguez e com roteiro de Tarantino, que aproveitou o ensejo para atacar de ator e virar um vampiro ao longo da trama. As produções envolvendo vampiros, por sinal, também costumam contar com uma trilha marcante. Em Entrevista com o Vampiro, podemos ouvir Guns n’ Roses fazendo uma cover de “Sympathy for the Devil”, clássico dos Rolling Stones. Já em Amantes Eternos, de Jim Jarmusch, temos uma trilha que mistura rock, soul e sons do Oriente Médio. Outros dois grandes exemplos são Fome de Viver, de 1983, e a saga Crepúsculo, cujo sucesso foi tão estrondoso que acabou inspirando o lançamento de outros produtos, como o caça-níquel Immortal Romance, disponível no site de roleta online da Betway Cassino, e a linha de maquiagem da marca DuWop. Para muitos, a trilha sonora de Crepúsculo continua sendo a melhor parte do filme, como comenta o artigo publicado no portal Tenho Mais Discos que Amigos. Isso não é para menos, já que nomes do calibre de Muse e Linkin Park constam entre os artistas. Já em Fome de Viver quem dá as caras é o Bauhaus, interpretando na cena de abertura a sua sombria “Bela Lugosi is dead”, que leva o espectador a entrar na atmosfera do enredo logo no início.

Como se vê, na indústria do cinema a música é um componente tão importante quanto a própria história a ser contada nos filmes. E, tendo a frase de Chaplin como referência, o som pode até aniquilar o silêncio, mas quando se trata do som da música, a beleza é definitivamente intensificada.

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