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Vamos celebrar bem?

Escrito por Heloísa Reis

Somos seres pensantes? Desenvolvemos capacidades para continuarmos a existir no futuro?

Sei não… Basta olharmos as formas como costumamos celebrar acontecimentos e até a forma de nos comportarmos em ocasiões de festas e divertimentos.

Um parque ou uma praia após um domingo chegam a provocar náuseas com a quantidade de lixo descartado inadequadamente além da quantidade de canudos e plásticos que serão confundidos pelos pássaros e peixes com alimentos matando-os em pouco tempo.

Um desastre previsível, previsto e comprovado.

Ainda assim quem se preocupa realmente? Quem atua de fato?
Quem muda atitudes e busca novas formas de manter as celebrações em padrões coordenados com o respeito à Natureza?

Como um copo de papel deixado no chão por alguém que não se importa, pode afetar todo um sistema holístico que rege o planeta neste vasto universo ?

Muitos ecologistas já pensam e escreveram sobre isso, soluções já foram pensadas, serviços parcamente instituídos, no entanto a “fonte” permanece inalterada.

Fogos de artifício ruidosos e poluentes continuam sendo procurados e comprados – e por isso mesmo fabricados! Aniversariantes continuam fazendo suas festinhas sem querer muito trabalho de lavagem e cuidados com material reutilizável… muito do nosso lixo vai para lugares inadequados dificultando a tão falada reciclagem – por muitos considerada como a solução – o que não é! …

Como questionar a “riqueza” e/ou o “ crescimento” sem limites?

Ainda hoje, poucos antes de me inspirar para este artigo, em frente ao Teatro Municipal de São Paulo, uma celebração – contra a qual nada tenho – reúne jovens que, em coro cantam , festejando mais um final de ano e festas natalinas … mas … soltam centenas de balões de gás branquinhos, lindos, que sobem aos céus em festiva revoada … contudo alguém pensou onde irão parar? Quantos anos serão necessários para que aquele látex expandido se dilua na natureza? Pura inconsciência ecológica! Puro e ledo engano de celebração equivocada!

Celebração de um fim para muitas vidas animais, com certeza, inclusiva aceleração do fim da nossa!

Escolas educam. Educam? Famílias educam. Sim? Que valores? Quais princípios? Muitos … menos o ecológico!

Bem diz o físico Maurício da Silva em seu artigo “A Inconsciência Ecológica”: “O ser humano se desenvolveu bastante em ciência, mas regrediu em consciência. Tecnologia como expoente da ciência, sem que a base da potência esteja sobre o substrato da consciência, é o caminho mais curto de se chegar ao caos e à morte da vida sobre a Terra.” (¹)

Com nossa capacidade de transformação e apropriação dos meios naturais nos esquecemos de que o nosso meio ambiente não suporta mais todas as nossas agressões.

Onde fica a nossa tremenda ingenuidade ao justificar que meros balões de gás ou fogos ruidosos e fumarentos no ar são justificáveis pelas celebrações que de tão inconscientes chegam a ser quase ridículas ao final e início de cada ano do calendário?

(¹) Se quiser ler Maurício da Silva na íntegra clique aqui

Sobre o autor

Heloísa Reis

Artista visual e arte-educadora, pesquisa a linguagem da arte contemporânea e sua importância enquanto instrumento de transformação. “Pinta e borda”, constrói objetos e gosta de ler e escrever. Atua em grupos como MDGV, Transition da Granja e Grupo ArteJunto procurando aprender com eles a arte de refletir a cidadania.
www.encontrosheloisareis.blogspot.com

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